
Regras do Mus
Regras do Mus explicadas de forma simples: preparação, como jogar, pontuação e variantes, com dicas para começar bem.
Atualizado em 27 de março de 2026
Mus: uma partida de cartas clássica espanhola
O jogo de cartas Mus é um jogo tradicional espanhol, de origem basca, jogado por quatro jogadores divididos em duas duplas fixas, cada um sentado de frente para o seu parceiro. É jogado sem dinheiro, o que o torna invulgar entre os jogos de aposta. Embora a mecânica do Mus — trocar cartas e depois apostar sobre quem tem a melhor mão — faça lembrar jogos como o póquer, trata-se de um jogo de parcerias que não precisa de ser jogado a dinheiro e habitualmente não o é. O jogo corre no sentido anti-horário.
Objetivo do jogo
O objetivo do Mus é ser a primeira dupla a chegar aos 40 pontos, o que geralmente exige várias mãos. Normalmente joga-se à melhor de três partidas, pelo que vence o encontro a dupla que ganhar duas. Os pontos são contados com pedrinhas (as piedras) e atribuem-se pela melhor mão em cada uma das quatro categorias: Grande, Chica, Pares e Juego.
Preparação
O Mus joga-se com o baralho espanhol de 40 cartas, com os naipes espadas, paus, copas e ouros. No Mus os naipes não têm qualquer importância, e dois valores duplicam-se: os 3 valem como reis e os 2 valem como ases. Na prática, o baralho funciona como se tivesse oito reis, oito ases e quatro cartas de cada um dos restantes valores (cavalo, sota, 7, 6, 5 e 4). A ordem, da carta mais forte para a mais fraca, é: R (ou 3), C, S, 7, 6, 5, 4, A (ou 2). Os valores em pontos das cartas só são usados na quarta e última fase de cada mão, o Juego.
Como jogar
- O distribuidor baralha, o jogador à sua esquerda corta e o distribuidor dá as cartas uma a uma, no sentido anti-horário, até que cada jogador tenha 4 cartas.
- O jogador à direita do distribuidor é o primeiro a falar e é conhecido como o "mano". Fala-se por turnos a partir dele, e a troca de cartas só acontece se os quatro jogadores disserem "Mus": basta um dizer "No hay mus" para se passar imediatamente à primeira ronda de apostas. Se todos concordarem, cada jogador descarta de uma a quatro cartas voltadas para baixo e recebe outras tantas; depois pode propor-se "Mus" outra vez. Se o baralho se esgotar, os descartes são baralhados para formar um novo monte.
- Seguem-se quatro rondas de apostas, sempre pela mesma ordem: Grande, Chica, Pares e Juego. As apostas servem para aumentar os pontos em jogo em cada categoria, e o órdago põe a partida inteira em jogo numa única categoria. As mãos só são mostradas depois de terminadas as quatro rondas, e é aí que se calculam os pontos de todas as categorias.
- Na Grande ganha a mão mais alta: ordenam-se as cartas por ordem decrescente e compara-se a primeira, depois a segunda, e assim por diante. Sem apostas, a dupla com a melhor Grande ganha uma pedra.
- Na Chica ganha, ao contrário, a mão mais baixa, comparada da mesma forma por ordem crescente. Sem apostas, a dupla com a melhor Chica ganha uma pedra.
- Nos Pares contam as combinações de cartas do mesmo valor. A dupla com a melhor combinação pontua pela sua mão e também pela do parceiro, e a dupla adversária não pontua nada pelos pares que tenha:
- 1 pedra para o par simples (duas cartas iguais e duas diferentes)
- 2 pedras para as Medias (três cartas iguais e uma diferente)
- 3 pedras para as Duplas (dois pares) Qualquer dupla ganha a qualquer media, e qualquer media ganha a qualquer par simples, independentemente dos valores.
- No Juego somam-se os valores das cartas: rei, 3, cavalo e sota valem 10 pontos, o 7, o 6, o 5 e o 4 valem o seu valor facial, e o ás e o 2 valem 1 ponto. É preciso um mínimo de 31 pontos para ter Juego. O melhor Juego é o de exatamente 31, seguido do de 32 e, por ordem decrescente, dos de 40, 37, 36, 35, 34 e 33, o mais fraco; os totais de 38 e 39 são impossíveis. Com 30 pontos ou menos não há Juego, e joga-se então o Punto.
Contagem de pontos e fim de jogo
Os pontos contam-se com pedras, no fim de cada mão e depois de comparadas as quatro categorias. A primeira dupla a atingir 40 pontos vence a partida — joga-se tantas mãos quantas forem precisas até lá. Em caso de igualdade entre duas mãos numa categoria, ganha o mano, ou o jogador mais próximo dele no sentido anti-horário.
Variantes comuns
Há várias variantes do Mus. A mais citada é o "Juego Real", que altera a regra segundo a qual um Juego de 31 na mão do mano é imbatível. Existem também o Mus com quatro reis e quatro ases (ou seja, sem a equivalência 3 = rei e 2 = ás), o Mus com dez reis, o Mus visto, a variante com cartas de substituição para o 4-5-6-7 e adaptações para três, cinco ou seis jogadores. Os sinais trocados entre parceiros variam igualmente muito de região para região.
Um pouco de história
O jogo de Mus é originário da região basca da Espanha. A data de sua invenção é desconhecida, mas é uma partida tradicional popular na região.
Onde conseguir o jogo
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Erros de iniciantes a evitar
- Esquecer que o 3 vale como rei e o 2 como ás — é o que decide quase todas as comparações na Grande e na Chica.
- Confundir a ordem dos Pares: qualquer dupla ganha a qualquer media, e qualquer media ganha a qualquer par simples.
- Julgar que no Juego ganha o total mais alto, quando na realidade a melhor pontuação é exatamente 31.
Perguntas frequentes
- O que significam "Medias" e "Duplas" nos Pares?
- "Medias" são três cartas do mesmo valor mais uma carta diferente; "Duplas" são dois pares. Os naipes nunca contam.
- Qual é a ordem dos Juegos, do melhor para o pior?
- 31 (o melhor), 32, e depois 40, 37, 36, 35, 34 e 33, que é o mais fraco. Os totais de 38 e 39 são impossíveis.
- E se tiver 30 pontos ou menos?
- Nesse caso não tem Juego de todo, e a última ronda joga-se ao Punto.
- Posso ter mais de 40 pontos no Juego?
- Não. Como as quatro cartas mais altas valem 10 pontos cada, 40 é o total máximo possível numa mão.
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